O termo “Internet das coisas”, antes exclusivo dos círculos de tecnologia está, aos poucos, aparecendo aqui e ali no mercado.

Me lembro quando falei disso pela primeira vez, parecia que estávamos falando de uma dominação das máquinas ou coisa assim. Não que isso não possa ocorrer mas, para agora, é muito mais simples.

Resumidamente, a “Internet das Coisas” é a capacidade que as “coisas” terão de se conectar à grande rede e trocar dados com o mundo exterior. Para facilitar a imaginação, poderia ser o seu carro informando o fabricante de uma possível falha durante o período de garantia, ou sua geladeira encomendando aquele iogurte cuja última unidade você acaba de comer. Tudo através da Internet.

Muitos embalam isso num lindo pacote de utilidades, dizendo que serviria para melhorar produtos, serviços e a vida das pessoas. Sim, pessoas bem intencionadas, como eu e você, certamente acharíamos várias aplicações úteis para todos, mas será essa uma regra geral?

Cada vez mais, e já fiz este comentário algumas vezes nesta coluna, precisamos estar atentos ao que acontece ao nosso redor e nas facilidades que a tecnologia nos oferece. Assim poderemos ter uma relação saudável com ela e estabelecer os limites que achamos conveniente, entre o que nos parece interessante compartilhar e importante proteger.

Mas afinal, porque faço está longa introdução? Quase um contrassenso para um aficionado envolvido até o pescoço com o mercado de tecnologia como eu. Explico.

Recentemente se faz a divulgação de um novo produto da linha Barbie da Matel: A “Hello Barbie”. Trata-se, segundo o anúncio, de uma boneca falante. De especial ela possui um dispositivo interno capaz de ouvir o que a criança diz para ela, processar e dar uma resposta coerente. O brinquedo poderia ser configurado por adultos com informações pessoais da criança como preferências, nome do cachorro e outras coisas, para que a boneca pudesse dar respostas mais “pessoais”.

Realmente parece uma coisa extraordinária. Quem de nós (pelo menos os tecnólogos) não imaginou um dia ter uma conversa inteligente com um robô ou um dispositivo. Eu mesmo tenho me divertido testando o “Cortana”, dispositivo de reconhecimento de voz da Microsoft.

Mas, voltando à Barbie. No meio da divulgação do produto aparece, quase desapercebida, uma informação vendida como funcionalidade. A boneca vem com conexão WIFI, pode enviar e-mail aos pais sobre as conversas entre a criança e a boneca, ou ainda permitir que os pais limitem os “assuntos” que a boneca pode tratar com a criança. 

Como se não bastasse, as informações da boneca ficarão armazenadas nos servidores do fabricante.

Para pensar: Você gostaria que as conversas de seus filhos pudessem ser gravadas ou transmitidas sei lá pra quem, sei lá pra que? Que um brinquedo que responde a perguntas de seu filho tenha uma conexão com o mundo exterior? Acho que não, não é?

Pois bem já confessei, adoraria ter um robô que conversasse comigo mas, privacidade não é coisa com que devemos brincar.