​Não há tema mais em discussão atualmente do que a "transformação digital". Nós mesmos temos feito muitas palestras sobre isso. Contudo, mudando um pouco o foco, temos tentando abordar o tema sob os aspectos humano e do negócio, explico.

No aspecto humano, importante notar como as pessoas mudaram sua forma de se relacionar com a tecnologia. Sou do tempo, por exemplo, que a informática era considerada um "mal necessário".

Minha mãe, que passou parte importante da minha vida adulta sem entender com clareza o que eu fazia no trabalho, pode hoje, por exemplo, vir a ser uma usuária dos aplicativos de nossa empresa.

Infelizmente muitas empresas ainda não acordaram para esta realidade, e parecem tratar o tsunami como uma "marolinha" passageira, como uma modinha. Orgulhosos, parecem dizer: "viram, eu falei que o Orkut era só uma moda passageira".

Enquanto esperam a "moda" da transformação digital passar, morrerão (corporativamente falando) sendo atropelados por esta revolução industrial, como outros tantos o foram no início do século passado.

Mas, o que fazer, por onde começar?

É necessário começar com alguns conceitos:

A transformação digital é para todos: Tanto você quanto os seus concorrentes estão lidando com os mesmos dilemas. Quem sair na frente leva vantagem, quem não sair, morre;

A transformação digital está focada nas pessoas: Não, nós os tecnólogos não estamos no centro, o cliente está. Estamos apenas com as ferramentas certas nas mãos;

Ser excelente no seu ramo, não basta: Se você é o melhor do seu setor, parabéns. Acabada esta pequena comemoração, volte para o trabalho. 

Clientes estão comparando experiências, e não ofertas: Seu cliente não está mais comparando você com seu concorrente, ele está comparando experiências. Procure explicar para ele porque ele aciona o botão do Uber e tem um carro em 5 minutos, e precisa ligar para o seu televendas e esperar 30 minutos para abrir um chamado;

Não importa o que você pode oferecer, mas o que o cliente espera: Esta nem é nova, mas não dá para ignorar. Escute o seu cliente, pode ser que ele precise de algo muito mais simples do que você acha, amplie os canais de comunicação com ele.

Pense em seu cliente como uma pessoa, e não como um segmento: Fácil dividir uma base de dados em grupos por geografia ou perfil. É necessário definir qual "persona" (ou personas) é o seu cliente. Que sistemas ele usa, quais aplicativos tem em seu celular, o que ele pode esperar de você. 

Não procure soluções prontas: Mude sua expectativa com relação à tecnologia, não se trata mais de encontrar soluções prontas, mas de encontrar a combinação certa de tecnologias que vão fazer seu negócio voar. Como um médico para um diagnóstico, procure ajuda especializada.

Não espere que casos de mercado lhe deem as respostas: Outro dia um cliente me pediu na mesma reunião duas coisas. A primeira: "precisamos ser inovadores como o Uber", e a segunda: "poderia me enviar dois casos de sucesso no exterior compatíveis com o nosso caso?" Ou uma coisa, ou outra. Experiências dos outros podem nos dizer muito mais a respeito do processo em que foram concebidos, do que da aplicação em si. Olhe para isso sempre com foco em "como fazer" e não "o que foi feito". 

Disrupção é apenas uma teoria: Posso causar algum furor aqui, mas não é natural do ser humano a disrupção (Darwin que o diga). Há sim saltos evolutivos mais ou menos expressivos e só. Não procure encontrar "a solução" que irá dizimar a concorrência. Pode ser que, neste momento, seu cliente queira apenas saber o status de um pedido. 

Você não precisa andar depressa, precisa apenas começar depressa: Qualquer mudança importante pode gerar grandes incômodos nos processos corporativos. Contudo, não adianta nada passar por longos processos e planos distantes quando seus concorrentes já estão apresentando resultados. Ande no seu ritmo, mas comece depressa. Pequenas evoluções continuadas a partir de hoje, para o cliente, são mais importantes do que uma solução robusta daqui dois anos.


Ainda assim, considere o apoio de empresas de tecnologia que já tenham entendido esse movimento. Apoie-se nelas para gerar ideias de soluções, antes mesmo de empregá-las.

Nós aqui, por exemplo, temos realizado projetos que chamamos de "product design" que é o desenho de uma solução de tecnologia baseada em necessidades do negócio de nossos clientes, utilizando uma metodologia de design. Com isso o cliente pode, rapidamente, vislumbrar a resposta que vai dar ao seu mercado para depois ver o ritmo que pretende empregar naquela solução.

Importante mesmo é começar, e começar já!

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Luiz Vianna​ - CEO da Mult-Connect​